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Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019
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Mensagem do dia 11 de setembro
Casas ao sol
Casas ao sol
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Certa vez ouvi alguém dizer que o ser humano poderia ser comparado a uma casa. Então me vi a imaginar essa "morada" que é cada um de nós...

Pensei em uma casa com alicerce, vários cômodos – alguns mais abertos para as pessoas, outros mais íntimos e reservados – e até mesmo com um porão. Casa com janelas que podem abrir-se ou fechar-se, revelando ou escondendo o que há dentro.

Casa com portas que permitem ou impedem a passagem. Casa construída sobre terreno que não é comprado nem escolhido, mas herdado. Às vezes é terreno plano, amplo, com boa água e bonita vista. Às vezes é íngreme, cheio de pedras, isolado, pequeno. Mas é o nosso terreno, é ali que precisamos fazer morada.

Vamos construindo aos poucos, durante a vida inteira: um tijolo aqui, um remendo ali, uma parede a mais, uma varanda a menos, um terraço que dá para o céu... Queremos sempre os mais belos materiais. Pode ocorrer, porém, só termos papelão e zinco, não as "pedrinhas de brilhante" que tínhamos desejado...

Vamos cimentando certezas, mas às vezes precisamos equilibrar-nos sobre escadas ainda inseguras. Cultivamos com cuidado, anos a fio, um jardim de sonhos e alegrias. De repente vem a tempestade, que, de nossas flores, deixa só pétalas no chão...

De dentro da nossa morada, observamos os que passam. Alguns nem olham e seguem em frente, outros entram e mexem em tudo. Uns, ainda, fazem dali verdadeiro lar... Todas essas visitas, as passageiras e as definitivas, vão deixando suas marcas na casa: um risco na parede, um lindo enfeite, um cigarro apagado, uma grande reforma...

E assim vamos nos fazendo: belas ou bizarras, amplas ou acanhadas, arejadas ou cheias de mofo, abertas ou fechadas, acolhedoras ou inóspitas: misteriosas casas humanas... Sim, misteriosas: porque a morada humana pode abrigar muitos segredos! Tesouros secretos... Quinquilharias inúteis... Coisas estragadas, perdidas, que precisam ser jogadas fora: até mesmo rosas vermelhas, que antes enfeitavam a sala, e agora, já murchas, apodrecem nos vasos...

Pode haver riquezas inesperadas, álbuns de recordações, troféus e medalhas das competições de infância... Venenos podem estar se espalhando e contaminando todo o ambiente. Talvez haja antigas coleções de figurinhas, cartas do primeiro amor... Lembranças... esperanças... frustrações... sonhos...

Tânia Resende