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Terça-feira, 05 de Julho de 2022
Paulinas - A comunicação a serviço da vida

Evangelho do dia 22/05/2022

6º Domingo da Páscoa - Ano C - Branca
1ª Leitura: At 15,1-2.22-29 ou At 7,55-60 Salmo: Sl 67(66) - Que os povos te louvem, ó Deus. 2ª Leitura: Ap 21,10-14.22-23 ou Ap 22,12-14.16-17.20 Evangelho Opcional: Jo 17,20-26
evangelho
O Pai é maior do que eu - Jo 14,23-29

Jesus respondeu-lhe: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. Quem não me ama, não guarda as minhas palavras. E a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que me enviou. Eu vos tenho dito estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou. Não se perturbe, nem se atemorize o vosso coração. Ouvistes o que eu vos disse: ‘Eu vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque eu vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. Disse-vos isso agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais.”

Bíblia Sagrada, tradução da CNBB, 2ª ed., 2002.
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Oração Inicial

Neste 6º Domingo da Páscoa, Jesus nos ensina como devemos viver para que o Pai, O Filho e o Espirito Santo, habitem em nós.


Que o Deus da ternura e do perdão nos batize em seu amor para que possamos testemunhar a alegria do Evangelho.

Leitura (Verdade)

Leia pausadamente o Evangelho com uma atitude de escuta e adesão à Palavra de Deus.
Perceba na ênfase que Jesus dá a promessa de estar com seus seguidores e apóstolos.

Evangelho: Jo 14,23-29 ou Jo 17,20-26 Jesus respondeu-lhe: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; meu Pai o amará. Quem não me ama, não guarda as minhas palavras. E a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que me enviou. Eu vos tenho dito estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito. Não se perturbe, nem se atemorize o vosso coração. Ouvistes o que eu vos disse: ‘Eu vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu”.

“Jesus está se despedindo. Duas coisas vão garantir a continuidade de sua missão: o amor do discípulo pelo seu Mestre e a ação do Espírito Santo na comunidade. Quem o ama, guarda sua palavra. Guardar é conservar, praticar e anunciar. É o amor a Jesus que sustenta isso. Pensando e agindo como Jesus, o discípulo se torna morada de Deus (lugar onde o Pai e o Filho habitam e se manifestam). Para garantir a continuidade da missão, pela mão dos discípulos, Jesus anuncia a vinda do Espírito Santo, que o Pai enviará em seu nome. O Espírito tornará viva a memória de Jesus, ajudará os discípulos a compreenderem suas palavras e animará a missão na comunidade.” (Viver a Palavra – 2022. Pe. João Carlos Ribeiro - Paulinas Editora).

Meditação (Caminho)

“Cada um de nossos dias seja plasmado pelo encontro renovado com Cristo, Verbo do Pai feito carne: Ele está no início e no fim de tudo, e n’Ele todas as coisas subsistem (cf. Cl 1,17). Façamos silêncio para ouvir a Palavra do Senhor e meditá-la, a fim de que a mesma, através da ação eficaz do Espírito Santo, continue a habitar e a viver em nós e a falar-nos ao longo de todos os dias da nossa vida” (Verbum Domini, 124). O caminho de Cristo é exigente, pois temos que sair de nós mesmos, o que nem sempre estamos dispostos a fazer. Porém, a experiência de Jesus e, guardar sua Palavra, nos dá condições de seguir em seu caminho.
Como a Palavra de Deus, meditada todos os dias, permanece concretamente em sua vida?

Oração (Vida)

“Espírito Santo, que reinais nos céus, sois nossa força! Espírito de verdade, presente em toda parte, plenificando o universo, tesouro de todos os bens e fonte de vida, vinde habitar em nossos corações! Libertai-nos de toda culpa e conduzi-nos, por vossa bondade, à salvação. Na força de vosso amor, uni todos os que creem em Cristo! Santificai-os com o fogo de vosso amor. Deus santo, Deus forte, Deus imortal, tende piedade de nós! Curai nossas feridas, por amor de vosso nome, e recebei-nos, enfim, no vosso Reino. Amém.”

Contemplação (Vida e Missão)

Contemple no silêncio de seu coração a Palavra de Deus. Qual apelo ela lhe fez? O que você deseja colocar em prática para que a Trindade habite em seu santuário interior?

Bênção

O Senhor, Deus de amor e paz, habite em vossos corações, oriente os vossos passos e confirme os vossos corações em seu amor. Vá em paz e seja um mensageiro (a) da Boa Nova.

Ir. Carmen Maria Pulga

Em Cristo Ressuscitado, tudo se torna novo. Alguns cristãos pensavam que a total novidade só aconteceria no fim dos tempos, mas essa novidade já se manifesta na vida dos seguidores de Jesus. O evento de At 15,1-2.22-29 é visto como Concílio de Jerusalém. O relato narra uma crise da Igreja primitiva com a entrada dos gentios. Eles deviam receber a circuncisão? Pensavam alguns que, sem esse rito, não haveria salvação. Nesse caso, qual seria o papel de Jesus Cristo? Seria apenas um revigorador da fé. Paulo e Barnabé se opõem a essa visão. Para resolver o dilema, dirigem-se a Jerusalém para dirimir a questão com os demais apóstolos e anciãos. Nasce, assim, o conceito de que a Igreja precisa se reunir e, em comunhão com os apóstolos, tendo Pedro como cabeça da comunidade, resolver o assunto. Mais importante é a frase conclusiva do Concílio: “Pois decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo…”. A Igreja, reunida em concílio, tem a luz do Espírito Santo. O relato de Ap 21,10-14.22-23 tem por base textos do AT, como Is 54; 60; Ez 40 etc., em que a cidade é representada como esposa fiel a Javé. Em Ap 17, apresenta-se como oposição à prostituta, a cidade da idolatria e da violência. Aqui a esposa do Cordeiro, a nova Jerusalém (v. 9), desce do céu toda enfeitada e brilhante. Ela é o símbolo da nova comunidade que se forma a partir do evangelho de Jesus. Já a prostituta (Ap 17) é a cidade da violência, da injustiça, do sangue derramado. Na nova Jerusalém, tudo é perfeito, as medidas são harmônicas, a base são as doze tribos (AT) e os doze apóstolos (NT). Nela reina a paz. Em poucas palavras, é a sociedade que vive o projeto de Deus prenunciado no AT e plenificado por Jesus, o que se pode chamar de “Reino de Deus”, a novidade vivida pelos discípulos que põem em prática a fé no Ressuscitado. Nos versículos anteriores de Jo 14,23-29, Jesus fala de sua partida (vv. 18s). Inicia-se então o tempo da Igreja, quando já não há a presença física do Mestre. Mas essa ausência física não é orfandade (v. 19), pois, quem observa, no amor, os seus mandamentos, tem a presença do Pai e do Filho em sua vida de forma mais real do que antes da partida. Aos olhos dos não crentes, Jesus desapareceu para sempre. Contudo, para quem tem fé, sua partida é a presença definitiva. Agora a presença de Deus se faz nas pessoas através do amor e na observância dos mandamentos, isto é, realizando o que ele fez desde o AT para beneficiar seu povo. O Pai e o Filho estarão presentes no agir das pessoas que, como Jesus, fazem as suas obras. Na ação dos seguidores de Jesus, Deus se faz presente na história. Jesus parte, mas, para que sua obra não caia no vazio, mandará o Espírito Santo, como mestre que ensinará todas as coisas, ou seja, torna a palavra de Jesus viva através da história. Tudo o que Jesus revelou será atualizado pelo Espírito no caminhar da comunidade de fé, isto é, a Igreja. Isso fica claro no primeiro concílio, o de Jerusalém: “O Espírito Santo e nós mesmos decidimos…” (At 15,28). A Igreja, liderada pelos apóstolos, é animada pelo Espírito Santo. Assim, à luz do mesmo Espírito, a Igreja adapta o evangelho de Jesus aos novos tempos e aos novos desafios. O texto termina falando da paz que Jesus dará. Que paz é essa? Não é a paz do Império Romano, mas a paz da justiça e do amor.

Frei Bruno Godofredo Glaab, ‘A Bíblia dia a dia 2022’, Paulinas.