Fundo
Quinta-feira, 04 de Junho de 2020
Baixe o app do Comece o dia feliz
Play Store App Store
Texto de Maria do dia 03 de dezembro
Maria, modelo para a Igreja
Maria, modelo para a Igreja
Raffaello Sanzio

Acostumamo-nos a contemplar as glórias de Maria, seus títulos e invocações. Por isso, talvez não nos seja fácil tomar consciência de que, em vida, foi a humilde e fiel serva do Senhor. Viveu na fé, no silêncio e na simplicidade. Viveu com muitas perguntas. Deus poderia tê-la feito diferente? "A Deus nada é impossível". Nada é limite para seu poder infinito; nada é limite para sua capacidade criadora.

"A bem-aventurada Virgem avançou em peregrinação de fé”, dirá mais tarde o Concílio Ecumênico Vaticano II.  "A fé é um contato com o mistério de Deus (...). Foi desse modo, efetivamente, que Maria, durante muitos anos, permaneceu na intimidade com o mistério do seu Filho, e avançou no seu itinerário da fé".

Esta será uma característica da vida de Maria: uma peregrinação na fé. E justamente esse andar na noite escura, cheia de perguntas, a tornará verdadeira discípula de seu Filho e perfeitamente unida a ele no seu despojamento. Mediante a fé, Maria participará de perto da vida de seu Filho que, mesmo tendo Deus como Pai, aceitou crescer "em sabedoria, tamanho e graça diante de Deus e dos homens". Ao longo dos séculos, Maria servirá de modelo para a Igreja, que procurará seguir seu modo de imitar Jesus.

A perplexidade de Maria diante do mistério — ficou confusa com as palavras do mensageiro de Deus e "começou a pensar qual seria o significado da saudação" —, faz pensar nas inúmeras situações de nossa vida em que, também nós, vemos multiplicarem-se as perguntas diante de palavras que não entendemos, de fatos que não compreendemos, e de decepções que não parecem fazer sentido. Poderá nos servir, nesta hora, a certeza de que "tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus"— tudo —, até a experiência de nossas limitações diante do mistério. Mas, e nossa inteligência que sente necessidade de ver as coisas claras e distintas? E a dificuldade de nos abandonar nas mãos de Deus, mesmo sabendo "como são insondáveis os seus juízos e impenetráveis os seus caminhos"?

Deus, ao pedir a Maria uma peregrinação na fé, lhe deu as graças necessárias para se manter fiel. Agiria hoje de modo diferente conosco?

Reflexão do livro: 'Um mês com Maria", Paulinas Editora.