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Domingo, 22 de Fevereiro de 2026
Paulinas - A comunicação a serviço da vida

Evangelho do dia 22/02/2026

1º Domingo da Quaresma - Ano A - Roxa
1ª Leitura: Gn 2,7-9, 3,1-7 Salmo: Sl 50(51) - Um coração quebrantado e esmagado, ó Deus, não irás desprezar. 2ª Leitura: Rm 5,12-19 (ou mais breve: Rm 5,12.17-19)
evangelho
Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites - Mt 4,1-11

“Naquele tempo, o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, teve fome. Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!” Mas Jesus respondeu: “Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo, e lhe disse: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra”. Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus!” Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória, e lhe disse: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”. Jesus lhe disse: “Vai-te embora, Satanás, porque está escrito: Adorarás ao Senhor, teu Deus, e somente a ele prestarás culto”. Então o diabo o deixou. E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus”.

A Bíblia: tradução da editora Paulinas, 2023.
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Oração Inicial

1º Domingo da Quaresma. Na dinâmica do caminho quaresmal que iniciamos na Quarta-Feira de Cinzas, somos introduzidos, aos poucos, por meio da liturgia, nos acontecimentos da paixão, morte e ressurreição de Jesus. No Evangelho de hoje, Jesus recusa toda e qualquer tentação que o desvie do Projeto do Pai e nos convida ao seu seguimento.
O deserto pode ser tanto um lugar físico como um espaço interior. Exige distanciamento da sedução do mundo para ressignificar nossa caminhada à luz da fé. Coloque-se nessa atitude de despojamento interior para entrar em sintonia com o Deus da Vida.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.



Peçamos: “Senhor Jesus, dá-me um coração simples para compreender a riqueza de ensinamentos escondida em tua Palavra. Envia teu Espírito Santo para que eu não tenha medo de escutá-la e vivê-la conforme a tua vontade. Que a Palavra transforme o meu coração através da fé e confiança que eu deposito em ti. Amém.”

Leitura (Verdade)

A Palavra nos orienta em direção ao Reino de Deus, recusando toda a tentação que não nos ajude à coerência com o Evangelho de Cristo.

Evangelho: Lc 4,1-11 “Naquele tempo, o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, teve fome. Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!” Mas Jesus respondeu: “Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo, e lhe disse: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra”. Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus!” Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória, e lhe disse: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”. Jesus lhe disse: “Vai-te embora, Satanás, porque está escrito: Adorarás ao Senhor, teu Deus, e somente a ele prestarás culto”. Então o diabo o deixou. E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus”.

“Jesus está no deserto, espaço livre de estruturas. É lá que o demônio se apresenta com a provação da comida, da necessidade de afirmação pessoal, do poderio universal. Jesus está sozinho e sem alimento. A tentação veio logo em socorro da fraqueza. O diabo se aproxima e promete pão, glória e poder. Assim começa a conversa. Grandes promessas, todas encantadoras, bonitas e saborosas, mas enganadoras. Jesus dialoga com o provocador e o enfrenta com ideias claras da Sagrada Escritura. Jesus não cai na tentação nem se deixa conduzir pelo demônio. Ele possui a força da Palavra de Deus. Uma pessoa vulnerável, com pouca defesa, torna-se presa fácil do explorador demoníaco.” (Viver a Palavra – 2026 – Côn. Celso Pedro da Silva - Paulinas Editora).

Meditação (Caminho)

“E logo o Espírito o impeliu para o deserto.” Impelir significa, dar-lhe força, empurrar ... sair do conforto para lutar contra a tentação do egoísmo e da vida glamorosa. Jesus entra no dinamismo da vida humana, frágil e pecadora.
Quem se deixa conduzir, impelir, pelo Espírito não pode assistir passivamente o mal que oprime e mata a Vida.
Como ecoa em meu coração a postura de Jesus diante das tentações?
Como compreendo e situo minhas atitudes dentro do comportamento de Jesus?

Oração (Vida)

Agradeça a riqueza da Palavra de Deus e os ensinamentos escondidos em cada palavra. Agradeça os convites, apelos, desafios que o Senhor o/a convida a viver neste dia.

Faça também uma revisão da sua vida e apresente ao Senhor os apelos de conversão que você deseja viver com a graça de Deus.
Conclua sua oração recordando e entregando ao Senhor as pessoas que você ama, para que Ele as fortaleça e lhes dê coragem para tomar a cruz de cada dia e segui-lo.

Contemplação (Vida e Missão)

Que apelos nascem em mim após essa oração? Que compromissos desejo assumir? Proponho-me pedir ao Senhor que me livre das tentações e ilusões vazias ou maléficas.

Bênção

Benção especial da Quaresma
- Deus Pai de misericórdia, conceda a todos, como concedeu ao filho pródigo, a alegria do retorno a casa. Amém.
- O Senhor Jesus Cristo, modelo de oração e de vida, nos guie nesta jornada quaresmal a uma verdadeira conversão. Amém.
- O Espírito de sabedoria e fortaleza nos sustente na luta contra o mal, para podermos com Cristo celebrar a vitória da Páscoa. Amém.
- Abençoe-nos, Deus misericordioso, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

Ir. Carmen Maria Pulga

Batismo, presença de água, e deserto, ausência de água, são inseparáveis na vida de Jesus. A sua missão é comunicar vida onde, humanamente dizendo, ela não existe nem pode existir. Para além da região árida, o deserto assume diferentes significados. Muitas pessoas vivem de forma cômoda, mas internamente estão secas. Outras pessoas vivem em locais inóspitos, mas internamente estão cheias de vida. De forma plástica, o deserto pode ser retratado como náusea da realidade. De um modo ou de outro, todos já experimentamos essa náusea. A decisão de ir ao deserto ocorreu logo após Jesus ter sido batizado. A narrativa dá a entender que foi uma ação de docilidade de Jesus ao Espírito que o conduziu. Nesse sentido, é preciso atentar para o fato de que Jesus não entrou sozinho no deserto, onde jejuou quarenta dias e quarenta noites, e foi tentado pelo diabo. A privação evidencia que ele estava assistido pelo Espírito. Faz sentido, pois o combate foi espiritual. O fato de ter sido submetido a provações atesta a humanidade assumida pelo Filho de Deus, pois o diabo não pode tentar Deus. A natureza das tentações gira em torno da “vida fácil” (mudar pedras em pães), do “sucesso” (pular do pináculo do Templo) e do “poder opressor” (os reinos do mundo). A chave do êxito de Jesus vem do uso que fez da Palavra de Deus. Deuteronômio 8,3 foi citado em Mateus 4,4; Deuteronômio 6,16, em Mateus 4,7; e Deuteronômio 6,13, em Mateus 4,10. Onde Israel cedeu e caiu, no deserto, Jesus, o Filho de Deus, venceu o diabo, a quem desmascarou ao dizer o seu nome, “Satanás”, na ordem que deu. Na tríplice renúncia das seduções, Jesus deixou claro que assumiria o messianismo do serviço e da doação de si mesmo pelo Reino de Deus. A última cena, dos anjos que se aproximam para servir Jesus, pode ser vista como a glorificação da Pessoa divina em sua humanidade, motivo da queda de Satanás e dos seus anjos. Velhos hábitos e ações improvisadas não transformam a realidade. Se a existência humana, sob o sinal do deserto, atesta dor, sofrimento e rejeição, sob a ânsia pessoal de Deus atesta o contrário: é vida! A missão de Jesus começou no Batismo. Esse gesto obediencial demonstrou sua eficácia na vitória sobre o Maligno. Como ensinou Santo Agostinho: em Jesus, novo Adão, reconhecemos nossa vitória, pois não cedeu às tentações por sua filial obediência. Nessa Quaresma, por/com/em Jesus, também podemos ser vitoriosos nos desertos da atualidade. Onde se experimenta a escassez da solidariedade e da fraternidade, sejamos portadores da vida na graça de Deus, pela fecundidade da fé, da esperança e da caridade.

Pe. Leonardo Agostini Fernandes, ‘A Bíblia dia a dia 2026’, Paulinas.