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Domingo, 19 de Abril de 2026
Paulinas - A comunicação a serviço da vida

Evangelho do dia 19/04/2026

3º Domingo da Páscoa - Ano A - Branca
1ª Leitura: At 2,14.22-33 Salmo: Sl 15(16) - Guarda-me, ó Deus, porque em ti me abriguei. 2ª Leitura: 1Pd 1,17-21
evangelho
Não estava ardendo nosso coração quando nos falava no caminho, quando nos abria as Escrituras? - Lc 24,13-35

Naquele mesmo dia, dois discípulos iam para um povoado chamado Emaús, distante sessenta estádios de Jerusalém, e conversavam a respeito de tudo o que tinha acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus, tendo-se aproximado, pôs-se a caminhar com eles. Os olhos deles, porém, estavam impedidos de reconhecê-lo. E ele lhes disse: “Que assuntos são esses que discutis enquanto caminhais?” Eles detiveram-se, com o semblante triste, mas um deles, chamado Cléofas, lhe disse: “És tu o único que vive em Jerusalém que não sabe os fatos que nela aconteceram nestes dias?” Ele lhes disse: “Quais?” Disseram-lhe: “O que aconteceu com Jesus nazareno, que era um profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e diante de todo o povo; como os sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Nós esperávamos que fosse ele quem libertaria Israel. Todavia, já faz três dias que tudo isso aconteceu. Algumas mulheres de nosso grupo, porém, nos deixaram desconcertados. Elas foram de manhã, bem cedo, ao sepulcro e, não tendo encontrado o corpo dele, voltaram dizendo que também tinham visto uma aparição de anjos, os quais disseram que ele está vivo. Alguns dos nossos também foram ao sepulcro e o encontraram tal como tinham dito as mulheres; mas, não o viram”. Então ele lhes disse: “Insensatos e lentos de coração para crer em tudo o que anunciaram os profetas! Não era necessário que o Cristo sofresse tudo isso para entrar em sua glória?” E, tendo começado por Moisés e passando por todos os profetas, interpretou-lhes o que em toda a Escritura havia a seu respeito. Eles se aproximaram do povoado para onde iam, e ele fez menção de prosseguir. Eles insistiram: “Permanece conosco, porque é tarde e o dia já declina!” Então ele entrou para permanecer com eles. Recostado à mesa com eles, tomou o pão, bendisse, partiu-o e lhes entregou. Seus olhos foram abertos e o reconheceram; mas ele tornou-se invisível para eles. Então disseram um ao outro: “Não estava ardendo nosso coração quando nos falava no caminho, quando nos abria as Escrituras?” Naquela mesma hora, levantaram-se e voltaram para Jerusalém, onde encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que disseram: “Realmente, o Senhor foi ressuscitado e apareceu a Simão”. Aqueles contaram o acontecido no caminho e como o tinham reconhecido na fração do pão.

A Bíblia: tradução da editora Paulinas, 2023.
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Oração Inicial

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Por meio do Evangelho de hoje, Jesus nos afirma ser Ele o Filho do Deus Altíssimo. São suas obras e suas Palavras que nos asseguram quem Ele é.
Abra plenamente seu coração, seu eu interior e deixe-se conduzir pela Palavra. A Palavra é luz e nos indica o caminho para Deus. Deixe que a luz do Senhor inunde seu ser e permaneça em você:




A palavra do Senhor nos faz progredir nos relacionamentos e na fé.
Oração: Concede-me a graça, Pai querido, que eu possa progredir no conhecimento de teu Projeto – revelado em teu Filho Jesus Cristo; sustentado pelo Espírito Santo - e corresponder com minhas atitudes, ao teu imenso amor. Amém.

Leitura (Verdade)

Jesus ressuscitado encontra-se com dois discípulos no caminho para Emaús, revelando-se a eles ao partir o pão e explicando as Escrituras. Este relato é uma verdadeira catequese para nossa caminhada de fé. Perceba a pedagogia de Jesus e o que acontece no coração dos discípulos?

Evangelho: Lc 24,13-35 “Naquele mesmo dia, dois discípulos iam para um povoado chamado Emaús, distante sessenta estádios de Jerusalém, e conversavam a respeito de tudo o que tinha acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus, tendo-se aproximado, pôs-se a caminhar com eles. Os olhos deles, porém, estavam impedidos de reconhecê-lo. E ele lhes disse: “Que assuntos são esses que discutis enquanto caminhais?” Eles detiveram-se, com o semblante triste, mas um deles, chamado Cléofas, lhe disse: “És tu o único que vive em Jerusalém que não sabe os fatos que nela aconteceram nestes dias?” Ele lhes disse: “Quais?” Disseram-lhe: “O que aconteceu com Jesus nazareno, que era um profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e diante de todo o povo; como os sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Nós esperávamos que fosse ele quem libertaria Israel. Todavia, já faz três dias que tudo isso aconteceu. Algumas mulheres de nosso grupo, porém, nos deixaram desconcertados. Elas foram de manhã, bem cedo, ao sepulcro e, não tendo encontrado o corpo dele, voltaram dizendo que também tinham visto uma aparição de anjos, os quais disseram que ele está vivo. Alguns dos nossos também foram ao sepulcro e o encontraram tal como tinham dito as mulheres; mas, não o viram”. Então ele lhes disse: “Insensatos e lentos de coração para crer em tudo o que anunciaram os profetas! Não era necessário que o Cristo sofresse tudo isso para entrar em sua glória?” E, tendo começado por Moisés e passando por todos os profetas, interpretou-lhes o que em toda a Escritura havia a seu respeito. Eles se aproximaram do povoado para onde iam, e ele fez menção de prosseguir. Eles insistiram: “Permanece conosco, porque é tarde e o dia já declina!” Então ele entrou para permanecer com eles. Recostado à mesa com eles, tomou o pão, bendisse, partiu-o e lhes entregou. Seus olhos foram abertos e o reconheceram; mas ele tornou-se invisível para eles. Então disseram um ao outro: “Não estava ardendo nosso coração quando nos falava no caminho, quando nos abria as Escrituras?” Naquela mesma hora, levantaram-se e voltaram para Jerusalém, onde encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que disseram: “Realmente, o Senhor foi ressuscitado e apareceu a Simão”. Aqueles contaram o acontecido no caminho e como o tinham reconhecido na fração do pão.”

“Entristecidos, dois discípulos voltam para casa. Estão nas estradas da vida e, na estrada, encontram-se com outro caminheiro. Foram conversando até partirem juntos o pão de uma rápida refeição. Rápida, mas completa. Foi quando seus olhos se abriram e viram o Cristo ressuscitado. A tristeza tornou-se alegria e a desconfiança, fé. Fortificados com o alimento que acabavam de consumir, tomaram a decisão de refazer o caminho, e o refizeram. Era preciso “desandar o andado, desfazer o feito e desviver o vivido”. Foi o que fizeram, e rapidamente, na mesma hora. Fica conosco, Senhor! Nosso coração arde por uma alegria diferente, só compreendida por quem o ouve nas Escrituras e o vê no partir do pão”. (Viver a Palavra – 2026 – Côn. Celso Pedro da Silva - Paulinas Editora).

Meditação (Caminho)

Foi difícil também para os discípulos acreditarem que Jesus era o Messias esperado. Para Tomé Jesus dirá: “Você acredita porque viu, felizes os que creem sem ter visto” ( Jo 20,24-29). Diante do mistério não podemos exigir explicação para tudo. É preciso crer e caminhar nos passos de Jesus como se víssemos o invisível.
As atitudes de Jesus confirmavam sua identidade. As obras falavam por ele e, por isso, muitos dentre o povo passaram a crer que Ele era verdadeiramente o Filho de Deus. E quem crê nele, adquire o privilégio de também ser filho no Filho.
Pergunto-me: por que as vezes criticamos ou desmoralizamos pessoas, mesmo conscientes de que suas obras são boas, mas a pessoa não nos é simpática, não bate com nossas expectativas?
As declarações de Jesus sobre sua identidade são claras, meu coração está aberto para crer nele?
Sou capaz de arriscar na fé, crer em sua Palavra mesmo quando os acontecimentos me trazem dúvidas?
Peçamos que Deus nos faça verdadeiros discípulos/as de seu Filho Jesus.

Oração (Vida)

Este é o momento de dar a sua resposta de fé e adesão a Deus. Sintetize o que viveu com a Palavra e apresente ao Senhor. Sua resposta a Deus pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão.
O importante é dirigir a Ele a sua oração pessoal, apresentando-lhe também as realidades que o/a cercam.

Se desejar conclua com a oração de “Coleta” da liturgia de hoje:
“Ó Deus, o vosso povo sempre exulte pela sua renovação espiritual. Alegrando-se com a restituição da glória da adoção divina, possa, com firme e grata esperança, aguardar o dia da ressurreição. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo. Amém.”

Contemplação (Vida e Missão)

Como eu interpreto a Palavra das Escrituras e deixo o Senhor caminhar comigo, falar ao meu coração e mudar minha vida?
Qual atitude desejo viver neste dia para estreitar sempre mais meu compromisso com a proposta de Jesus?

Bênção

O Senhor Jesus Cristo esteja ao meu lado para me sustentar,
Dentro de mim para me encorajar,
Diante de mim para me orientar,
Atrás de mim para me proteger,
Acima de mim para me abençoar.
Ele que vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.
Que a bênção de Deus Pai de amor e bondade desça sobre mim e sobre toda a humanidade, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Ir. Carmen Maria Pulga

A segunda aparição pascal segundo Lucas foi a dois discípulos. Cléofas, no episódio do caminho e da ceia em Emaús, é a personagem que dialoga, sem o saber, com Jesus ressuscitado, e a ele deve ser atribuído o pedido: “Permanece conosco, porque é tarde e o dia já declina”. É linguagem inclusiva, pois ele não estava sozinho, e além disso se encontra um eco daquela que poderia ser denominada de “teologia do Emanuel”, isto é, do “Deus-conosco”. Os versículos 13-19 oferecem uma ambientação concisa e bem detalhada: dado cronológico; local de destino; distância a ser percorrida; elemento surpresa; condição dos discípulos; iniciativa do divino peregrino; alusão ao estado emocional dos discípulos; alusão ao nome de um deles, que responde à pergunta com outra pergunta; e o interesse pelo assunto. Nos versículos 20-24, os discípulos oferecem um resumo-interpretação dos acontecimentos sobre Jesus Nazareno, com dados sobre sua identidade e missão. A situação singular é a frustração dos discípulos. Nota-se que as informações dizem respeito ao antes e ao depois do dia da ressurreição. O que veio das mulheres é essencial, mas permaneceu a incredulidade: “Mas não o viram”. Nos versículos 25-32, Jesus ressuscitado assumiu o protagonismo da conversa e começou a instrução de uma forma dura, mas eficaz, percorrendo as Escrituras, a ponto de suscitar neles a oferta da hospitalidade com muita sensibilidade. À mesa, seguiu-se o efeito da fração do pão: “Seus olhos foram abertos e o reconheceram; mas ele tornou-se invisível para eles”. Os versículos 32-35 apresentam o desfecho e revelam a mudança que se deu na vida dos discípulos. A imensa alegria precisa ser comunicada. Se houve preocupação com a noite, ao convidar o peregrino, após a revelação, ela deixou de ser um obstáculo, e, sem hesitar, os dois decidiram voltar para Jerusalém. No encontro das experiências houve unidade: “Realmente, o Senhor foi ressuscitado e apareceu a Simão”; Cléofas e os discípulos “contaram o acontecido no caminho e como o tinham reconhecido na fração do pão”. O episódio atesta que não estamos sozinhos, menos ainda diante das tribulações, pois o Emanuel fica conosco, nos ama, e o seu amor nos impele à missão, a fim de anunciar que ele está vivo e age entre nós.

Pe. Leonardo Agostini Fernandes, ‘A Bíblia dia a dia 2026’, Paulinas.