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Domingo, 01 de Março de 2026
Paulinas - A comunicação a serviço da vida

Evangelho do dia 01/03/2026

2º Domingo da Quaresma - Ano A - Roxa
1ª Leitura: Gn 12,1-4a Salmo: Sl 32(33) - A terra ficou plena da lealdade do Senhor. 2ª Leitura: 2Tm 1,8b-10
evangelho
Levantai-vos! Não temais! - Mt 17,1-9

“Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou a sós para uma alta montanha. E foi transfigurado diante deles: seu rosto ficou resplandecente como o sol, e suas vestes tornaram-se brancas como a luz. Nisso, apareceram-lhes Moisés e Elias conversando com ele. Tendo tomado a palavra, Pedro disse a Jesus: “Senhor, é belo para nós estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias”. Ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os encobriu, e da nuvem uma voz disse: “Este é meu Filho Amado, no qual me comprazo. Ouvi-o!” Tendo ouvido isso, os discípulos prostraram-se com o rosto em terra e sentiram muito temor. Mas Jesus se aproximou, tocou-os e disse: “Levantai-vos! Não temais!” Tendo levantado seus olhos, não viram ninguém, senão somente Jesus. Enquanto eles desciam da montanha, Jesus lhes ordenou: “Não conteis a ninguém a visão até que o Filho do Homem seja ressuscitado dos mortos”.

A Bíblia: tradução da editora Paulinas, 2023.
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Oração Inicial

Entramos em um novo mês, um ciclo em preparação ao Mistério Pascal: a Quaresma.
Coloque-se conscientemente na presença de Deus.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Senhor Jesus, sei que estás aqui comigo. Ajuda-me a permanecer na tua presença com toda minha mente, vontade e coração. Amém.




Na liturgia de hoje, recordamos a Transfiguração do Senhor. “Da nuvem saiu uma voz que dizia: ‘Este é o meu Filho, o Eleito. Escutai-o!’”(Lc 9,35). Esse é o convite que a Palavra faz a cada um de nós. Acolhamos o que o Senhor quer nos dizer hoje por meio de sua Palavra.

Abramo-nos à ação do Espírito Santo que reza em nós, dizendo: “Ó divino Espírito, ensina-me tudo quanto Jesus ensinou. Dá-me inteligência para entender; memória para lembrar; vontade dócil para praticar; coração generoso para corresponder aos teus convites. Amém.”

Leitura (Verdade)

Este é o momento de compreendermos o texto. O que ele diz? Leia-o com calma e silenciosamente. Depois, leia-o novamente em voz alta e pausadamente, repetindo as palavras que mais chamaram sua atenção. Quais personagens aparecem no Evangelho? Onde eles se encontram? O que acontece no alto da montanha? Como os discípulos reagem? O que significam as palavras: “Este é o meu Filho, o Eleito. Escutai-o!”? Por que os discípulos não compreenderam o que Jesus queria dizer com “ressuscitar dos mortos”?

Evangelho: Mt 17,1-9 “Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou a sós para uma alta montanha. E foi transfigurado diante deles: seu rosto ficou resplandecente como o sol, e suas vestes tornaram-se brancas como a luz. Nisso, apareceram-lhes Moisés e Elias conversando com ele. Tendo tomado a palavra, Pedro disse a Jesus: “Senhor, é belo para nós estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias”. Ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os encobriu, e da nuvem uma voz disse: “Este é meu Filho Amado, no qual me comprazo. Ouvi-o!” Tendo ouvido isso, os discípulos prostraram-se com o rosto em terra e sentiram muito temor. Mas Jesus se aproximou, tocou-os e disse: “Levantai-vos! Não temais!” Tendo levantado seus olhos, não viram ninguém, senão somente Jesus. Enquanto eles desciam da montanha, Jesus lhes ordenou: “Não conteis a ninguém a visão até que o Filho do Homem seja ressuscitado dos mortos”.

“Esta é uma esperança cristã firmada sobre uma fé esclarecida: o desfigurado se transfigura. A figura de Jesus no deserto da tentação era desfigurada. No monte Tabor, o mesmo corpo de Jesus é transfigurado. Os cristãos católicos expõem a cruz de Cristo com seu corpo desfigurado, o que causa até mal-estar e interrogação em quem não crê. No entanto, sabendo que a glória da transfiguração se manifestou no corpo de Jesus, mantemos a firme esperança de que o mesmo acontecerá com o nosso corpo mortal. A harmonia da transfiguração ressalta a igualdade nas relações entre seres desiguais. As diferenças, que ainda existem, se unificam na visão da glória que nos espera e nos atrai ainda nesta vida.” (Viver a Palavra – 2026 – Côn. Celso Pedro da Silva - Paulinas Editora).

Meditação (Caminho)

Agora, vamos trazer a reflexão da Palavra para a nossa vida. O que o texto diz para mim?
Que aspectos do mistério de Deus esta passagem me possibilita conhecer? De que forma?
Que luz nos dá Jesus, com sua pessoa e sua mensagem?
De que maneira esta passagem me compromete? O que ela me pede? Na montanha, os discípulos foram testemunhas, contempladores da grandeza de Jesus. Contemplar o rosto de Jesus ilumina a nossa caminhada, mesmo nas noites mais escuras. A glória manifestada na Transfiguração é a transparência do amor e da liberdade com que Jesus sempre se relacionou com seus discípulos e com o povo

Oração (Vida)

Ouvimos a voz de Deus, por meio de sua Palavra. Agora, somos impelidos em direção àquele a quem temos ouvido. O que o texto bíblico o(a) inspira a dizer a Deus?
Conclua com a oração: “Senhor, coloco diante de ti minha inquietude e minha fraqueza. Abro meu coração para que me enchas de sabedoria para caminhar pelo caminho verdadeiro. Fortalece-me na fé e na pureza de coração para que se instaure “aqui” o Reino de Deus.
Coloco sob tua proteção toda a humanidade que luta e sofre em busca de justiça e fraternidade. Dá-nos tua luz para construirmos uma sociedade mais coerente, mais justa e mais fraterna. Que o Senhor nos faça hoje e sempre humildes e atenciosos à sua santa Palavra e à sua presença gloriosa, que nos espera na presença do Pai, no calor do Espirito Santo e na irmandade dos irmãos/as que nos precederam na fé”. Amém

Contemplação (Vida e Missão)

“Cada um dos nossos dias seja plasmado pelo encontro renovado com Cristo, Verbo do Pai feito carne: Ele está no início e no fim de tudo, e n’Ele todas as coisas subsistem (cf. Cl 1,17). Façamos silêncio para ouvir a Palavra do Senhor e meditá-la, a fim de que ela, por meio da ação eficaz do Espírito Santo, continue a habitar e a viver em nós e a falar-nos ao longo de todos os dias da nossa vida” (Bento XVI, Verbum Domini, 124). Com a Palavra na mente e no coração, qual atitude você se propõe a viver hoje?

Bênção

Benção especial da Quaresma
- Deus Pai de misericórdia, conceda a todos, como concedeu ao filho pródigo, a alegria do retorno a casa. Amém.
- O Senhor Jesus Cristo, modelo de oração e de vida, nos guie nesta jornada quaresmal a uma verdadeira conversão. Amém.
- O Espírito de sabedoria e fortaleza nos sustente na luta contra o mal, para podermos com Cristo celebrar a vitória da Páscoa. Amém.
- Abençoe-nos, Deus misericordioso, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

Ir. Carmen Maria Pulga

O problema da existência de Deus, por causa da experiência do mal no mundo, ganha novos contornos quando se percebe que o objetivo deste domingo, pela escuta atenta da Palavra de Deus, é revelar Jesus como Filho Amado de Deus e, ao mesmo tempo, Messias Servo Sofredor. Como, então, Jesus poderia ser o sentido que abarca tudo? Nessa dúvida se encontra a incompreensão de Jesus como evento transformador da realidade, porque, centrada no uso da prepotência do ser humano no mundo, pode ofuscar a validade e a eficácia do seu amor. O episódio da transfiguração de Jesus confirma o anúncio que se encontra em Mateus 16,28. Acima de tudo, porém, serve para atestar que Jesus é verdadeiramente Filho de Deus, em conformidade com a voz do Pai que ressoou no momento do Batismo no rio Jordão (Mt 3,17) e na resposta de Pedro, vinda também por revelação do Pai: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente” (Mt 16,16). A transfiguração de Jesus é, portanto, uma manifestação divina (teofania), e os elementos confirmam: intensidade de luz, nuvem, voz celestial e reação dos discípulos. A experiência de Moisés (Ex 3,1-6) e de Elias (1Rs 18,9-14) no Horeb/Sinai, respectivamente, o “legislador” e o “executivo” da Lei de Deus, oferecem o contexto de fé para os apóstolos que testemunharam o evento extraordinário. A transfiguração está em função da ressurreição e da glorificação de Jesus, que resultam da sua Paixão e morte. A revelação na transfiguração nos coloca diante do que pode parecer um escândalo: Deus age de modo completamente distinto do nosso, pois o poder do seu Filho Amado se demonstrará, exatamente, na impotência livremente assumida como gesto obediencial. Acolher a revelação, presente nesse episódio, demanda subir o monte, entrar em oração e ouvir a voz dos mediadores da Escritura. Não se está, portanto, diante da oportunidade de uma autossatisfação, como se depreende das palavras de Pedro, mas da possibilidade de discernir o diferencial da voz de Deus em função do seguimento baseado na solene declaração: “Este é meu Filho Amado, no qual me comprazo. Ouvi-o!”. Escutar o Evangelho e colocá-lo em prática é o que conta para o discipulado coerente. Que o escândalo e a loucura da cruz não só nos coloquem em crise, mas também legitimem em nós o amor!

Pe. Leonardo Agostini Fernandes, ‘A Bíblia dia a dia 2026’, Paulinas.