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Terça-feira, 01 de Dezembro de 2020
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Texto de Maria do dia 08 de novembro
Nossa Senhora do Parto
Nossa Senhora do Parto
Pintor italiano desconhecido

O culto à Nossa Senhora do Parto, deriva dos primeiros séculos da era cristã. A primeira imagem que a representa se encontra em Roma, num dos arcos do Cemitério Maior. O ícone é do século IV e nele a Virgem está em posição orante, de braços abertos, com Cristo Menino diante do peito. Também, é a pioneira tentativa de representar Maria isolada na sua maternidade. Mas as controvérsias doutrinárias eram muitas, causadas pelas heresias que proliferavam fora e dentro da Igreja. Por isso, em 431, no Concílio de Éfeso foi proclamado o dogma da divina maternidade de Maria.

Como a imagem da Virgem orante do Cemitério Maior, foi executada de acordo com a doutrina oficial ortodoxa, segundo a qual Cristo e Maria eram "uma só carne", ela inspirou o ícone mariano mais difundido em todo o Oriente e Ocidente, desde o período bizantino. Trata-se de Nossa Senhora "Platytera", isto é, "mais plena dos céus", que apresenta Maria orante com o Menino envolto num disco, simbolizando sua maternidade.

Na Itália, a partir do período medieval, aparecem as imagens da Virgem do Parto substituindo o símbolo do disco pela representação natural da cintura alta e recurvada sobre o ventre ligeiramente sobressalente de Maria, característica exclusiva da pintura Ocidental. Logo em seguida veio da representação de Nossa Senhora no real estado de gestante. Nele a Virgem aparece sozinha, de pé ou sentada, em posição frontal e visivelmente esperando o Filho de Deus. O único elemento que a distingue de uma mulher comum grávida, é o livro fechado apoiado no ventre, uma alusão ao Verbo Encarnado. O livro de fato é uma representação do Velho Testamento e, portanto a Palavra de Deus que, através de Maria, se encarna.

No concílio de Trento, entre 1545 e 1563, muitas imagens sagradas foram consideradas não ortodoxas pela Igreja e acabaram na mira dos inquisidores. Entre elas figuraram a Nossa Senhora do Parto, a Nossa Senhora Platytera da Misericórdia e a Virgem do Apocalipse. Por isso, muitas foram destruídas ou modificadas e, a partir do final do século XVI, delas não ficou nenhum traço, na Igreja do Ocidente. As modificadas eliminaram a cintura alta e ao invés do livro, a Virgem segura o Menino Jesus nos braços.

A mais famosa e conhecida, das poucas remascentes, é a obra de 1460, atribuída ao pintor Pedro da Francesca. Desde então essa Nossa Senhora do Parto, em pé, ficou exposta na capela do Cemitério dos Monterchi, em Arezzo, região italiana da Toscana, que, em 1993, foi restaurada. Porém, existe ainda uma imagem de Nossa Senhora do Parto sentada, venerada na igreja de Cislago, ao norte de Milão, pintada por um artista anônimo, em 1530.

A devoção e o culto à Virgem do Parto, apesar das divergências dos teólogos, quanto a representação de sua maternidade divina, nunca foi abandonada pelo povo cristão. No Oriente, continuou sendo venerada como a Mãe Platytera. No Ocidente, como Nossa Senhora do Bom Parto, com a imagem modificada da Virgem com o Menino Jesus nos braços, sentada ou de pé. Mas, homenageada em datas diferentes, conforme as localidades.

No Brasil existem poucas igrejas dedicadas à Nossa Senhora com esse título. A mais conhecida fica no antigo povoado da Palhoça, em Florianópolis, no estado de Santa Catarina. Construída em 1868, os habitantes decidiram dedica-la à Nossa Senhora do Parto e a celebram no dia 08 de novembro.

Texto: Paulinas Internet