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Terça-feira, 01 de Dezembro de 2020
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Mensagem do dia 21 de novembro
Não discuto minha fé...
Não discuto minha fé...
Pixabay

Num círculo de palestras de formação cristã, em Porto Alegre, passaram muitos especialistas em assuntos de teologia. Todos eram bem formados e ótimos comunicadores. O número de participantes era grande e interessado. Não faltavam perguntas, nem respostas. Havia discussões e até discordâncias dos ouvintes, especialmente quando se tratava temas de moral e ecumenismo.

Entre os participantes havia gente de todas as idades e níveis culturais.

Uma simpática Senhora, de cabelos brancos e sempre sorridente, vinha acompanhada de sua filha e sentava no seu canto com o terço na mão. Manifestava interesse em acompanhar os assuntos, mas também desfilava as contas do rosário o tempo inteiro. Sem nenhuma pretensão, a simpática Senhora foi chamando atenção de muitos participantes do curso.

No final de tudo, como é costume, a coordenação encaminhou uma avaliação em grupo. No grupo onde estava a Senhora do terço, também estava um indivíduo que se julgava meio dono da verdade. Vendo-a com o terço na mão começou a criticar sua atitude e questionar sua forma antiga de religiosidade. Foi o momento, onde a sabedoria dos simples se manifestou na frase da mulher: “Não discuto minha fé, prefiro vivê-la”.

O grupo de avaliação ficou em suspense, mas admirado. No final do curso teve um momento para depoimentos. Foi então que a Senhora do terço levantou-se com seu tradicional sorriso e falou com simplicidade. Avaliou o círculo de palestras como muito positivo e oportuno e também fez um depoimento de sua experiência de vida cristã. Ressaltou que era analfabeta, tinha aprendido o catecismo antigo de cor e, por muitos anos, fora a única catequista numa região do interior do Rio Grande do Sul. A região era pobre, em tudo. Além da catequese, que passava com muito amor às crianças, ia também visitar os doentes e levar comida a muitos famintos abandonados.

Como dona de casa, dedicava-se ao cuidado dos filhos e do marido e rezava muito, especialmente durante o trabalho cotidiano. “A oração foi a fonte da minha coragem”. Por fim, agradeceu a oportunidade de participação; elogiou o fulano que a questionou no grupo e afirmou categoricamente: “Não discuto minha fé, prefiro vivê-la”. Nesta hora foi aplaudida por todos como se tivesse feito a melhor palestra do curso. Por fim, o último palestrante da noite concluiu: “A síntese de tudo o que foi dito nas palestras foi comunicada pela Senhora do terço, obrigado!”

Não existe um instrumento para medir a qualidade da fé, nem mesmo a quantidade. Só o saber sobre Deus é muito pouco. Só dizer que se tem fé, também é insuficiente, pois a fé, sem obras é morta.

Viver a fé, implica no conhecimento, sim, mas também na experiência da afeição e nas ações decorrentes das convicções e de nossos afetos. Creio que a Senhora do terço, com seu sorriso, suas convicções, sua participação comunitária e suas obras de caridade, realmente são uma síntese da autenticidade da fé.

Frei Luiz Turra, ‘No Coração da Vida’, Programas Radiofônicos Vol. 01.