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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2021
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Mensagem do dia 14 de janeiro
Notícias positivas animam a esperança
Notícias positivas animam a esperança
Pixabay

Nós não somos afeitos a desgraças. Mas por incrível que pareça, geralmente são estas que viram notícia e contagiam a humanidade. Evidentemente, não podemos tapar o sol com a peneira, nem mesmo negar as sombras, fugindo delas. A dor sempre nos incomoda com mais rapidez, do que os efeitos lentos e silenciosos do amor e da graça. O mal desta realidade está em dançar sobre as desgraças, como se fossem os únicos acontecimentos e notícias do mundo. É desalentador acompanhar noticiosos, quando mais da metade do tempo é ocupado em tragédias.

Há dias recebi uma correspondência do Haiti, de um Confrade, a quem estimo muito. Como responsável pela Missão Capuchinha naquela realidade sofrida, o Frei ia noticiando fatos, realizações e perspectivas positivas. Falava de obras comunitárias que são construídas em mutirão, de encontros vocacionais com número expressivo de jovens, de bons começos na formação dos novos frades etc. Nas entrelinhas das notícias positivas, evidentemente não podemos ignorar o cenário de uma Nação provada, sofrida e atingida por um terremoto. Porém, o positivo dos pequenos fatos vai fecundando a esperança de um futuro melhor.

Antes de uma celebração, estava recebendo as pessoas na porta da Igreja. Chegou um cidadão, sócio de uma microempresa. Em conversa informal, contou-me que ao começar o ano de 2015, com os demais sócios e funcionários, viram-se contagiados pelo desânimo devido à crise que atingiu o País. Tudo começou a piorar, até que um dia reuniram-se para rever a situação. Unanimemente decidiram deixar de assistir o Jornal Nacional e adotaram o lema: “Crise não existe!”. Cada sócio e os funcionários decidiram começar sempre o dia falando de algo positivo e encorajando um ao outro. Não demorou um mês que a microempresa estava transformada e em acentuado ritmo de crescimento.

Cenas e notícias de encantamento, quando divulgadas, partilhadas e postas na linha de frente, vão mudando também o cenário. Quem não lembra a complexa situação da Igreja no final do pontificado de Bento XVI e as respectivas notícias desfavoráveis? Em pouco tempo o Papa Francisco, com seus gestos simples e proféticos, com suas mensagens de pastor e sua proximidade com todos, especialmente os mais pobres, tornou-se a liderança mais influente da humanidade. As impiedosas acusações à Igreja foram revertidas pela “Alegria do Evangelho”.

Na realidade, todos somos seres de contágio. Podemos ser contagiantes e contagiados. Há doenças contagiosas e doentes contagiados e contagiantes. Há esperanças contagiantes e pessoas esperançosas que contagiam. Há ideias contagiantes e pessoas que contagiam com ideias corajosas ou desanimadoras. Essa inegável força de contágio pode ser um assunto diário de nossa revisão de vida, porque ninguém de nós é neutro. Ou somos presença positiva e construtiva, ou veiculamos, por palavras, pelo modo de ser e por atitudes, o vazio e a frustração.

Frei Luiz Turra, ‘No Coração da Vida’, Programas Radiofônicos Vol. 02.